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 Home page > Freguesias > Cacilhas
 

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24 de Junho

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2800-291 Cacilhas Tel:   212 732 943
Fax: 212 744 470


Associação de Reformados, Pensionistas e Idosos da Freguesia de Cacilhas
Tel:   212 760 217
Fax: 212 744 470

Heráldica
Escudo de vermelho, um farol de ouro perfilado de negro, entre duas enxós de prata, e da dextra volvida; em chefe, duas asas estendidas de ouro; contra-chefe ondeado de três tiras, de prata e de azul. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco com a legenda a negro, em maiúsculas: "CACILHAS".

in "Diário da República, Série III de 25/06/1996"

Uma das mais antigas referências históricas da margem sul do Tejo, Cacilhas constitui-se como polo de atracção para o desenvolvimento económico de toda a região.

Foi, noutros tempos, local para o escoamento de produtos, vindos do Alentejo como: Trigo, Carne, Cortiça e outros oriundos de zonas mais próximas, como os Vinhos do Termo de Almada e do Seixal e as Madeiras dos pinhais da Costa da Caparica, Trafaria e Sesimbra.

Popularmente apelidada de "Terra de Burros", Cacilhas era, em tempos idos, muito frequentada por gentes de outras paragens, que aqui se vinham disfrutar de passeios de burro pelas redondezas.

Diz-se que este pitoresco divertimento teve como seu principal impulsionador o rei D. Fernando. Ficando indelevelmente marcado na vida da localidade.

Segundo a tradição, o nome por que é hoje conhecida é consequência da frequência com que se ouvia - no largo principal - os donos dos burros pedirem aos seus ajudantes pelas Cilhas usando a expressão: "Rapaz, dá cá cilhas", necessárias à preparação dos jumentos para as passeatas.

Segundo Sousa Bastos no seu livro, "Lisboa Velha - Setenta Anos de Recordações - 1850 a 1910", quando a atmosfera do Paço se carregava com a política D. Fernando rumava à Outra Banda, tomando um catraio e juntamente com alguns membros da Corte, ia divertir-se para a Cova da Piedade ou para Almada, utilizando o burro como meio de transporte.

Esta preferência régia, daria origem a um costume primeiramente elegante, mas que depois, com o decorrer dos tempos, degenerou em divertimento popular e numa atracção turística.

Regulamentada pelo Município de Almada, determinava-se que os burros de aluguer não poderiam conservar-se em Cacilhas, senão recolhidos e salvo depois de pago o respectivo aluguer.

Os burriqueiros, estacionavam os seus animais próximo do Chafariz de Cacilhas e ali esperavam pelos clientes que vinham de Lisboa, com o intuito de andarem de jerico ou passear nos trens e carruagens pelos arredores e termo da então Vila de Almada.

As burricadas, atracção turística de Cacilhas do passado, tinham três percursos obrigatórios:

Um denominado por "Volta das Terras", que compreendia a Rua Direita (actual Rua Cândido dos Reis), parte da Calçada da Pedreira (actual Rua Carvalho Freirinha), e Largo de Cacilhas, hoje designado por Largo Alfredo Diniz (Alex). Outro percurso era o que ia de Cacilhas a Almada e vice-versa e um terceiro dito "de luxo", dada a sua maior extensão, que era de Cacilhas, Almada e Alfeite e vice-versa.

Segundo a tradição, conta-se que os burriqueiros ou tocadores de burros, como eram popularmente chamados, estavam combinados com os taberneiros, ensinando os seus animais a entrar "pelas tabernas adentro", afocinhando-se no balcão por forma a que se servissem copos de vinho ao cavaleiro.

As burricadas eram de facto algo de tão fascinante e pitoresco, que segundo a tradição popular, denominou Cacilhas como a "Universidade dos burros", sendo muito célebres nessa época, as cocheiras do "Zé Ribeiro" do "Pouca-Tripa" e do "Narciso".

Hoje, Cacilhas já não tem o seu chafariz, nem os seus pachorrentos burros. Hoje, por força do progresso, esta pitoresca localidade é um dos maiores terminais rodoviários para as localidades periféricas da margem esquerda e Sul do Tejo. Contudo, mesmo nos tempos modernos, não se apagam da memória das gentes as célebres e populares burricadas.

As casas de pasto e tabernas, outrora lugar para a venda da sardinha assada e das ostras abertas nos fogareiros, hoje são recordações de uma época que, embora distante, não deixam de ser quadros vivos na memória dos que nos retiros do "Universo", da "Marraca" e da "Parreirinha", ouviam o fado em tertúlias que duravam até altas horas da noite...
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