A Costa de Caparica é uma terra de caldeiradas.
Embora as que ficaram famosas, para o grande público, tenham sido as do Ginjal, na zona ribeirinha Cacilhas, não há como uma boa caldeirada feita em casa de pescador.
Falar de caldeirada é falar de vários peixes. Mas há muitas e boas confeccionadas de um só. As de xaputa são muito apreciadas pelos autóctones. Outros preferem as de lulas e os mais antigos as de carapau. Uma delícia é a de tramelga, peixe fino "como não há outro" e, por isso, conhecido pelos pescadores da Caparica como "galinha do mar".
A receita que aqui fica registada homenageia um homem, caparicano de gema, que foi pescador, banheiro e o último dos sobreviventes do naufrágio do "Pensativo", barco meia-lua, dos grandes, de 18 metros, que naufragou quando aproava a terra com nevoeiro cerrado, na crista de um vagalhão, era Dezembro de 1929, tendo feito 11 vítimas.
Referimo-nos a Francisco Pinto, também conhecido por "Chico Bóia". Caldeirada Chico Bóia, para 4 pessoas
Ingredientes:
1,2 Kg. de tamboril, safio e tramelga;
8 batatas médias;
4 cebolas grandes;
4 tomates grandes;
1 pimento;
1 ramo de salsa;
1,5 dl. de azeite;
1 copo de vinho branco;
sal e piri-piri.
Preparação:
Corte o peixe em pedaços grandes e lave-os.
Descasque as cebolas e as batatas.
Unte o fundo de um tacho com azeite.
Por cima disponha as cebolas em rodelas.
Cubra com uma camada de batatas e, a seguir, com uma de tomate, ambas às rodelas.
Se necessário forme várias camadas.
Disponha o peixe e cubra-o com rodelas de tomate e pimento às tiras.
Tempere com sal.
Regue com o restante azeite, o vinho branco e junte o piri-piri.
Leve a lume forte para levantar fervura.
Com o lume brando, deixe cozer, com o tacho tapado.
Vá sacudindo o tacho para não pegar.
Logo que o pimento esteja macio, junte a salsa picada, retire do lume e sirva.
As receitas de "Comeres Caparicanos" estão em Sabores Caparicanos, o Mar e a Mata.